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sábado, 27 de outubro de 2012

O contexto educacional tem sofrido intenso impacto decorrente das mudanças de ordem econômica, política, social, cultural e tecnológica, cujos desdobramentos são manifestos pela instância educativa compreendida pela escola e pela família, que tem como protagonistas alunos, professores, mães, pais. Em relação à instituição, as transformações têm se revelado na perspectiva dos alunos, bem como dos profissionais docentes ou ainda de outros profissionais que trabalham com a educação, e aqui incluímos o psicopedagogo. Dentre as mudanças que temos percebido na família está a incipiente participação desta, na vida dos filhos. No âmago dessas questões são percebidas também modificações nas relações sociais que, por sua vez, atingem os processos de ensino-aprendizagem e o exercício da docência (LIBÂNEO, 2007; PATTO, 2004).

Ao nos atentar para essas transformações e para as exigências a elas relacionadas, percebemos que a instituição de ensino tornou-se definitivamente o lugar de socialização e formação de sujeitos, ao oportunizar a estes algumas condições para o exercício da liberdade política e intelectual. Nesse cenário, a Psicopedagogia também tem sido provocada, no sentido de contribuir com a educação, detectando ou extinguindo os problemas de aprendizagem que erigem dentro do contexto escolar e fora dele. É interessante ressaltar, diante desse terreno imerso em contestações, que a psicopedagogia não atua diretamente com a dificuldade, mas corrobora para saná-la. Levando em consideração os aspectos socioeconômicos, culturais, e psicológicos, ela atua junto às crianças, familiares e professores, na busca de soluções para o problema de aprendizagem.

Para atuar frente a esses problemas, a psicopedagogia não trabalha isoladamente, ao contrário, conta com a colaboração de outras áreas do conhecimento. Longe de competir com outros profissionais, o psicopedagogo busca neles, subsídios para seu trabalho. Segundo Scoz (1994, p, 02), "a psicopedagogia estuda o processo de aprendizagem e suas dificuldades, e numa ação profissional deve englobar vários campos do conhecimento, integrando-os e sintetizando-os". Atrelada aos vários campos científicos, a psicopedagogia emerge da necessidade de buscar soluções para os problemas de aprendizagem, mas ainda hoje, a validade dessa área como um corpo teórico organizado, ainda não lhe assegura a qualidade de saber científico, devendo-se fazer muito no sentido de ela sair da esfera da empiria e poder vir a estruturar como tal (BOSSA, 1992).

Percebemos aí que o termo psicopedagogia está imerso em um campo conceitual passível de contestação, em que quanto mais se procura elucidá-lo, menos claro ele nos parece. Como aponta Lino Macedo (apud BOSSA, 1992), o termo já foi criado e assinala uma das mais importantes razões de produção de um conhecimento científico: o de ser meio, o de ser instrumento, para um outro, numa perspectiva teórica ou aplicada. Nesse sentido, a psicopedagogia enquanto produção de conhecimento científico, não basta como aplicação da psicologia à pedagogia.

As discussões que balizam o campo da psicopedagogia a concebem como área de aplicação que antecede o status de área de estudos, a qual tem buscado sistematizar um corpo teórico próprio, determinar seu objeto de estudo, bem como seu campo de atuação. Frente a esse quadro, fazemos aqui uma espécie de duplo questionamento que acaba por convergir para um ponto comum: Qual o campo de atuação e a importância do Psicopedagogo frente às dificuldades de aprendizagem escolar? Essa pergunta é formada no sentido de se considerar a necessidade de apontamentos sobre as questões concernentes à psicopedagogia, reconhecendo ser este um campo vasto e muito desafiador. Posto isto, o objetivo deste artigo é conhecer o campo de atuação e a importância do psicopedagogo na realidade escolar. 

Após esta breve incursão, e buscando respostas às interrogações levantadas, partimos para o percurso metodológico. Inicialmente empreendemos uma pesquisa bibliográfica com leituras e fichamentos a fim de aprofundarmos o entendimento acerca do objeto de estudo. A pesquisa bibliográfica foi essencial para nos apropriarmos de conceitos relacionados ao tema. A partir de uma maior clareza acerca do objeto de estudo, torna-se mais fácil, através das lentes teóricas, identificar seus desdobramentos. Nesse sentido, para Marconi e Lakatos (2009), a finalidade desta abordagem é colocar o pesquisador em contato com tudo que já foi produzido sobre o assunto. O ideal é que a pesquisa bibliográfica não seja a mera repetição de escritos, mas a interpretação e produção de novos conhecimentos.

Ao desenvolver nossas primeiras idéias, nos orientamos por um sistema de pensamento, cujos momentos se afetaram de forma recíproca. A preparação remete aos momentos de análises indispensáveis ao estudo, a fim de dominar os aspectos teóricos e metodológicos da posição assumida. Inicialmente apresentamos o tema em estudo e suas noções gerais, um breve apanhado sobre os elementos que constituem o objeto, o objetivo da pesquisa, bem como o percurso metodológico adotado. No segundo momento fazemos uma breve incursão acerca da conceituação e do processo histórico da psicopedagogia, apontando na seqüência as (in) definições que se fixam acerca desta área. Ainda no segundo momento apresentamos uma discussão sobre o campo de atuação da psicopedagogia. Discutimos no momento seguinte as interfaces entre psicopedagogia e educação, perpassando pela atuação institucional e clínica, até a sistematização com os apontamentos do olhar da psicopedagogia sobre a família e a escola. Por fim, trazemos as considerações finais emanadas durante o estudo não como fechamento definitivo deste trabalho, mas como novas possibilidades que se abrem para o campo da psicopedagogia.

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